5 perguntas com Fiona Coyne

Nov 11, 2021

Se existe alguém que sabe tudo sobre iniciativas, oportunidades e desafios na indústria têxtil e de vestuário da África Ocidental, com certeza é Fiona Coyne. Ela é a antiga Diretora de Sourcing do Grupo Vlisco, e será oradora no West Africa Connect. O Grupo Vlisco desempenha um papel vital na Moda Africana. Descubra mais sobre ela nesta entrevista!

Olá Fiona, pode falar um pouco sobre si?
“Claro que sim! De orígem, sou da Escócia, mas já morei em varios países. Estudei Direito no Reino Unido, seguido de um mestrado em Língua e Cultura Chinesa na Universidade de Leiden e de um MBA do NIMBAS. No Grupo Vlisco, comecei como gerente interino e trabalhei até me tornar Diretora de Sourcing & RSC. Tenho mais de 15 anos de experiência de gestão ao nível executivo/ superior, e durante o meu tempo na Vlisco ganhei conhecimentos profundos e perícia na mundo de suprimentos e processamento de têxteis na Europa, Ásia e África Ocidental. Além disso, desempenhei um papel chave num projeto multimilionário que visou a criação de um parque têxtil na Nigéria, em conjunto com investidores asiáticos”.

Como antiga Diretora de Sourcing & RSC do Grupo Vlisco, pode falar um pouco sobre a empresa e o seu papel lá?
“Bom, o grupo Vlisco desenha, produz e distribui estampas africanas de cera para o mercado africano e, claro, para os consumidores africanos em todo o mundo. Como Diretora de Sourcing, fui responsável pelos suprimentos de matérias-primas do grupo no mundo inteiro, bem como pelo desenvolvimento e execução de uma estratégia de suprimentos adequada. Fui responsável pelas relações com os fornecedores e geri a base de suprimentos. Também elaborei e implementei uma política de ISC (investimento social corporativo) para os suprimentos de matérias-primas, que incluiu a criação de um programa de auditoria para assegurar a conformidade”.

Na sua palestra falará sobre sustentabilidade, oportunidades, desafios e iniciativas na indústria têxtil e de vestuário da África Ocidental. Pode falar sobre como tem implementado iniciativas de sustentabilidade durante o seu tempo na Vlisco?
“Penso que o maior passo que demos foi mudar para o CmiA, Cotton made in Africa (Algodão produzido em África). Esta é uma norma reconhecida ao nível internacional para o algodão africano sustentável, que se compromete a minimizar o impacto ambiental negativo ao mesmo tempo que melhora as condições de trabalho e de vida dos agricultores. Resumindo, o CmiA concentra-se em ajudar os agricultores a ajudarem-se a si próprios através da utilização de técnicas mais eficazes e mais amigas do ambiente. Antes de mudar para o CmiA, nunca soubemos exactamente de onde vinha o nosso algodão – depois, sabíamos. Para dar-lhe um pouco de contexto, a quantidade de algodão consumido pelo Grupo Vlisco garante o emprego a mais de 100.000 agricultores e seus trabalhadores cada ano, o que para mim é uma grande conquista”.

Vê alguma tendência ou evolução interessante na indústria têxtil e do vestuário da África Ocidental neste momento?
“Vejo que existe um potencial enorme na indústria têxtil e de vestuário da África Ocidental que basicamente não está a ser aproveitado – tenha em mente que cerca de 90% do algodão da região é exportado. Infelizmente, muitos investidores e empresas vêem mais riscos do que oportunidades e simplesmente têm medo de se envolverem. No entanto, existe uma pressão crescente provendo de vários ângulos para começar a investir na África Ocidental, sobretudo pela simples razão de que as alternativas estão a ficar mais caras. África é um continente gigante com uma grande quantidade de mão-de-obra e recursos e em termos de trânsito está muito mais próxima da Europa do que a Ásia. Hoje em dia, muitos consumidores preferem produtos e vestuário locais, pelo que o continente africano pode realmente desempenhar um papel chave em responder a essa necessidade. O que quero dizer é, por que importar quando se pode produzir em casa? É preciso encorajar os investidores e empresas certos a estabelecerem parcerias com a África Ocidental – de fato, há muitas oportunidades lá”!

Qual foi o maior desafio que enfrentou como diretora de sourcing na Vlisco?
“Um dos maiores desafios, sem dúvida, foi a infra-estrutura! Por vezes demora muito a levar o algodão de um lugar para outro, portanto, todo o aspecto logístico é problemático. Além disso, a alimentação eléctrica na África Ocidental é definitivamente um desafio, uma vez que o processamento moderno exige uma alimentação sem interrupções 24/7. Estes são desafios de que devemos estar conscientes, mas felizmente há muitos investidores dedicados a melhorar a infra-estrutura. Vamos devagarinho, mas vamos lá”!

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